O
tema central do empreendedorismo é o desenvolvimento
humano, social e econômico. No Brasil, o empreendedorismo
deve ter como prioridade o combate à miséria,
devendo ser um instrumento de geração
e distribuição de renda, conhecimento
e poder. Mais do que uma preocupação com o indivíduo,
o empreendedorismo deve ser relacionado com a capacidade
de uma comunidade ser autora dos processos de mudanças
necessários ao seu crescimento e ao acesso de toda
a população à riqueza gerada.
No Brasil, um dos campeões mundiais
de concentração de renda, o crescimento econômico
ao longo do tempo não tem significado melhoria de
vida para grande parte da população. A concentração
da renda e a consequente injustiça social, tem resistido
a políticas de qualquer matiz, a governos de qualquer
cor.
Qual a diferença entre a nossa agenda
e a de outros países em termos do empreendedorismo?
A urgência. Não há o que esperar para afastar milhões
de pessoas da miséria.
O
empreendedorismo é um fenômeno cultural, por isto
as nossas soluções têm que ter a nossa cara, o nosso
jeito, a forma brasileira de ver o mundo, o nosso
sistema de valores. Somente há duas décadas sabe-se
que é possível aprender-se a ser empreendedor, não
importa a idade, formação, ou origem. É recente também
a percepção de que o empreendedor é o elemento que
dispara o processo de desenvolvimento.
O objetivo de todo o meu trabalho é o
desenvolvimento de uma sociedade empreendedora através
do trabalho de indivíduos inovadores, independentes,
que aceitam riscos e tomam a si a tarefa de transformar
a sua comunidade. É preciso libertar no brasileiro
a sua infinita capacidade de sonhar e de transformar
sonhos em realidade, ou seja, é preciso libertar o
empreendedor que existe em cada um de nós.
Utilizo o termo empreendedorismo em seu
sentido amplo. Ou seja, refiro-me a uma forma de ser,
independentemente da escolha profissional. Assim estão
contidos neste termo, por exemplo, o empregado-empreendedor,
(ou intra-empreendedor) o pesquisador-empreendedor,
o empreendedor comunitário, o funcionário público-empreendedor,
etc., ou seja, o que importa é a maneira de se abordar
o mundo, qualquer que seja a atividade abraçada.
O meio que utilizo para realizar a minha
visão é o ensino de empreendedorismo, em todos os
níveis. Este ensino deve ser de fácil disseminação,
barato, não centralizado e usar recursos humanos já
disponíveis nas estruturas formais do ensino brasileiro.
Para isto, desenvolvi e mantenho em constante aprimoramento,
ferramentas para serem utilizadas tanto no processo
didático como pelo futuro empreendedor, em linguagem
acessível a pessoas de qualquer formação.
A metodologia de ensino que criei, a
Oficina do Empreendedor, transformada em livro, traz
características revolucionárias, algumas delas inéditas
mundialmente, e está sendo utilizada em programas
nacionais desde 1996, atingindo atualmente mais de
200 instituições de ensino superior e médio e cerca
de 40.000 alunos/ano. É uma metodologia de auto-aprendizado,
através da qual a pessoa irá construir, de forma autônoma,
a sua visão e capacidade empreendedora. Por se propor
como instrumento do desenvolvimento local integrado
e sustentável, a metodologia envolve toda a comunidade,
trazendo para a sala de aula as forças vivas da sociedade
local.
Um dos instrumentos didáticos é o livro
O segredo de Luísa, construído em forma de romance,
a linguagem mais adequada para descrever o empreendedorism
entendido como um processo essencialmente humano e
não somente técnico. Construi também um software para
a elaboração de Planos de Negócios, instrumento básico
de auto-aprendizado, que permite que candidatos a
empreendedores de qualquer formação possam aprender
a transformar a sua idéia em produto ou serviço de
sucesso.
Em 1999 lancei dois livros. Em 2000 outros
três foram publicados. Todos eles relatam o meu trabalho,
a minha paixão, o meu sonho. E por falar em sonho,
estou em vias de concretizar o maior deles: a criação
de uma metodologia de ensino de empreendedorismo para
o ensino fundamental, prevista para teste em 2001.
Nada se faz sozinho. Tenho tido a felicidade
de trabalhar com o apoio de importantes instituições:
a CNI-IEL Nacional, o CNPq, a sociedade Softex, a
Visão Mundial, a UFMG e ainda empresas e órgãos públicos
e centenas de instituições de ensino e professores
de todo o Brasil.